10 de Janeiro de 2011
Abri o presente de minha mãe. Era uma Bíblia.
Pra que ela me deu isso? Eu não vou ler esse troço.
Fui ter aulas de montaria com Pedro e já andei só, sem que ele me segurasse. E o Pedro me disse uma coisa que me deixou intrigada.
O Pedro me falou que Rebeca e Gabriel, cortejam. Não entendi muito o que era. Dai perguntei e ele me explicou. Parece que é quando os casais decidem que só darão o primeiro beijo no altar. Se conhecem sem se tocar, sem muitos toques físicos, e o Pedro me explicou que era como um voto a Deus e deixar que ELE cuide do matrimonio e então o casal espera e tudo mais. Dá pra acreditar nisso? Eles não beijam na boca. Perguntei se era assim na igreja dele, do Pedro no caso, ele disse que não é uma regra, é uma escolha. Você decide se quer ou não. Ele também me disse que ele não se importaria de beijar, por exemplo, ainda mais se a garota fosse bela como eu. Sorri, pra não ser mal educada, mas pareceu mesmo que aquilo foi uma indireta, direta pra mim.
Como duas pessoas vão se conhecer sem se tocar? Que gente doida é essa?
Se bem que, isso pode ser muito bom pra mim. Por que eu duvido que Gabriel resistisse a uma garota que lhe pedisse um beijo. Ainda mais uma moça bela, como disse Pedro, como eu.
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Cantoria na casa de seu Antonio. Fui bisbilhotar.
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Aconteceu uma tragédia!
Eu estava lá olhando pela fresta da porta quando sem querer meti o pé em um buraco e caí. É, isso foi quase ao fim do culto e se não levantasse logo iam me ver ali. O problema foi que meu pé ficou preso. Sinceramente ainda estou me perguntando de onde saiu, mas senti algo pegar em meu pé e puxar para fora do buraco e eu até então na havia visto ninguém. Olhei de um lado e olhei do outro, só que minha cabeça não alcançou o panorama inteiro, até que escutei:
“Por que você não entra para assistir ao culto da próxima vez? Em ao vez de ficar sempre aqui do lado de fora?!”.
Advinha quem era?
Rebeca.
Ela tirou meu pé do buraco e falou algo que depois cai em mim. Percebi que minhas idas na calada da noite as escondidas, não tinham sido assim tão desapercebidas. Esse detalhe só ficou claro pra mim, por que ela disse “sempre”. O que significa que vim outras vezes e ela sabia. Que droga!
Não sei nem por que no momento me enchi de raiva dela e só depois acordei que ela havia tirado meu pé do buraco e me convidado para entrar. Que tosca que eu sou! Ela foi super legal comigo. Não estava em horário de trabalho então se quisesse poderia mesmo deixar meu pé preso lá. E eu nem ia vê-la. Mas não, ela me ajudou?
“Venha senhorita Stella, vou deixá-la na sua casa. Está um pouco tarde pra senhorita ficar andando por ai por esses matos sozinha, tem muitos animais que a senhorita não ia gostar mesmo de encontrar, ainda mais no escuro!”.
Ela pegou a lanterna. E veio comigo. Fiquei calada, não disse nada. Ela não tinha que fazer aquilo, ela não tinha mesmo, nem eu merecia que fizesse, minutos antes eu havia pensado em beijar o noivo dela, se ela soubesse, ficaria enfurecida, eu ficaria pelo menos.
“Vamos senhorita Stella, que tenho aqui comigo a Luz, e é meu dever guiá-la ao caminho da sua verdadeira casa!”.
Hã? As vezes parece que ela fala em metáforas. Não entendo algumas coisas que ela diz. Ela me deixou lá e eu agradeci. Ela virou pra mim e falou: “tenha bons sonhos senhorita Stellla, em nome de Jesus!”.
Subi correndo. Me sentindo estranha. Não estranha como me senti a vida toda, mas uma nova estranha. Dormi, muito bem por sinal. Aconteceu alguma coisa diferente nesse lugar.
Quem são essas pessoas, sinceramente, não sei, nem consigo entender. De onde eu vim, ela devolveria de uma maneira bem estúpida todas as minha atitudes, mas ainda acho que ela não é todo esse poço de bondade que ela aparenta ser.
Ou talvez até seja, eu é que estou acostumada a ver outras coisas, outras pessoas. Minhas amigas em São Paulo, não tirariam o pé de ninguém do buraco. Pelo contrário, eu sempre as via colocarem o pé pra que outros caíssem. Rebeca também é diferente delas no sentido do seu relacionamento estranho. Minhas amigas todas iriam pra cama no primeiro fica com o garoto e ela ainda nem beijou. Parece inacreditável. Acontece que de fato não vi mesmo nenhum beijo entre os dois, motivo pelo qual pensei mesmo que Gabriel fosse solteiro. E, bem, se fosse ela que tivesse me dito realmente ia achar que era balela, mas foi o irmão dela e não acho que ele esteja brincando com relação a isso.
Esse lugar tem alguma coisa. Tudo por aqui é novo. Novo de mais, estranho demais. E ao mesmo tempo… bem, faz muito tempo que não tenho noites de paz e de sonos agradáveis. A atmosfera aqui toda reflete algo bom e me faz sentir bem. Queria entender o que é isso tudo aqui? Será que mágica existe?
CONTINUA…
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