Capitulo 2 – Uma Vida sem Amor (8º Dia)
Belém, quarto do hotel, 29 de Dezembro de 2010
Querido diário,
Sinto muito te deixar só. Estive ausentes esses dias sim por que estava tentando me destrair. Não tinha o que contar até por que não há nada de novo em comer, assistir filme, comer, trocar de canal, comer, beber refrigerante, comer chocolate, fazer unha, e ouvir Gaga, ah! quase eu esqueço, e comer outra vez.
Acho mesmo que isso não é interessante pra você, não vim te contar esses últimos dias por que se foi sem graça pra mim, com certeza não seria nada divertido pra você.
Hoje, na saída do hotel esbarrei com o meu motorista tendo uma conversa peculiar com a filhinha querida, Rebeca. Eles não me viram. Acabei descobrindo que a empregada não tem mãe, parece que morreu.
Sinceramente as vezes a acho tão estranha. Ela não fala nada, não reclama de nada. É a bondade em pessoa. Odeio tanta bondade em uma pessoa só. Mudando de assunto, não tenho um amigo aqui nessa cidade, não tenho absolutamente nada pra fazer. O jeito é correr com meu cachorro.
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Estou arrumando as malas, estamos indo para o aras da empresa mamãe e eu, pensei que era uma fazenda, mas papai me disse que era um aras mesmo. Legal! Cavalos são seres simplesmente fascinantes.
Como o papai é o presidente, então agora ele é nosso, eu acho!
Estamos indo para o sul do Pará, seu Antonio, o motorista, e a filha dele, a empregadinha Rebeca, vão conosco. Papai só vai aparecer aos finais de semana. Parei um pouco e vim escrever por que estou me sentindo muito mal. Tem uma coisa me incomodando.
Nunca mais conversei com meus pais. Bem verdade que ainda estou com raiva de terem me trazido pra cá. Mas, não a ponto de nunca mais falar com eles. Estou me sentindo órfã de pais presentes.
Eu estou cansada de estar só. Cryspin é um bom cão, mas ele não fala, só late. Ainda me dói pensar na Danda e no Gustavo, vi no Orkut que estão namorando.
Nem sei por que me importo. Não estou mais lá, estou aqui. Dificilmente voltarei. Talvez tudo melhore em fevereiro, quando as minhas aulas começarem. Irei estudar no mesmo colégio que a empregada. Aff!
A estive observando esses dias, que não escrevi em você.
Ela não reclama de nada a maioria das vezes. Sempre que pode está sorrindo. Tipo, ela é pobre, é minha empregada e só vive cantando. Jamais me olhou com raiva e nem com tristeza.
Eu? Eu mando nela se quiser. No entanto, ela sorri e sorri sempre. Pra mim sorrir é tão difícil. As vezes é como se alguma coisa faltasse, ela não tem nada do que tenho mas parece que está tudo bem o tempo todo, ela parece… se é que posso dizer e se isso existe… ela parece feliz.
Soube que a mãe dela faleceu a pouco tempo. Só ficou ela, o pai e o irmão, que mora com a avó no aras pra onde vamos. Lá é a verdadeira casa deles. Acho que se minha mãe morresse eu enlouqueceria. Se bem que, sentiria mesmo mais falta dela na hora das compras. Papai está sempre ocupado. Meus amigos ficaram pra trás… as únicas companhias que tenho são o cachorro, o motorista e a filha dele, que não suporto.
Parece que a vida é só isso. Acho que não há mais nada. Um dia eu nasci e um dia vou morrer. A vida nem vai notar que passei por ela. Meus pais não vão notar. O que há de errado comigo? Por que estou assim?

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