07 de Janeiro de 2011
Tem algumas horas que jantei. Ainda pouco ouvi uma música muito bela vindo da casa do seu Antonio. Acho que estão festejando alguma coisa lá. Todos estão cantando.
Mamãe está no quarto com pepinos nos olhos. E papai me ligou ontem.
*
*
*
*
São exatamente 22 horas. E já não agüentando de curiosidade me vi impelida a ir na casa de seu Antônio saber o que eles fazem lá. Cheguei ainda pouco de lá. É claro que fiquei do lado de fora, eles não me viram.
Ouvi o que acontecia. Cantam umas músicas tão belas quanto aquelas que minha mãe cantou junto com eles, na virada do ano. Um dado momento eles pararam e ficaram falando, não entre eles, mas com “Deus”. Pela fresta da porta pude ver Pedro, e pude ver também Rebeca que estava de olhos fechados. Pedro estava de olhos abertos, não parecia muito concentrado no que faziam lá. Havia alguém do lado de Rebeca, mas não vi direito. Acho que é o garoto que vi outro dia aos abraços com ela.
Acho legal a forma como seu Antônio se expressa. Ele fala coisas de fato muito belas, sobre Deus. É quase como se fosse real. Dá a impressão que é tão real que você chega até a percebê-lo com alguém bem próximo. É assim que vejo, seu Antonio como alguém bem próximo de Deus. Se ele existisse seria mesmo o máximo. Às vezes as coisas que ele fala faz parecer como se eles pudessem ver, ouvir, alguém de fato. É surreal, mas eu acho muito bela a religião de seu Antonio, ainda mais sabendo que minha avó foi adepta. E minha avó foi alguém muito admirada, então, é possível que ela tenha aprendido muito nisso, nessa fé que ela professava.
Mas eu não tenho religião nenhuma, acho que devem ser mesmos rituais muito belos dotados de um grau de cultura interessantes, mas não, eu não nasci pra essas coisas, embora eu ache a música super legal. Sou mais impelida pela curiosidade de saber o que a minha avó viveu do que pela vontade de viver isso.
Fiquei olhando pela fresta. Até que eles terminaram, e eu obvio tinha que sair antes deles terminarem, pra não me verem ali, né?
Vou dormir, bisbilhotar o culto dos outros é cansativo. Amanhã quero andar a cavalo e ver se o anjo Gabriel, amigo do Pedro, vai aparecer de novo. Torcendo pra isso. Ele de fato me deixou fora de mim.
CONTINUA…
Nenhum comentário:
Postar um comentário