Capitulo 2 – Uma Vida sem Amor (14º Dia)
04 de Janeiro de 2011, Aras Bom Jesus
Acordei tão cedo hoje que tomei o café na cozinha, bem mais cedo do que ontem. Como sempre a empregadinha cantava e como sempre, mandei ela calar a boca. Pedro estava encostado no armário comendo uma maçã.
“Pronta para cavalgar, senhorita?”
Sorri, de leve e fiz menção com a cabeça que sim. Sinceramente não gosto de que empregados tenham muita intimidade comigo, mas ele está me dando aulas de montaria e papai falou pra ser carinhosa com todos, como tem sido conosco. Se não consigo mesmo ser carinhosa, tenho que ser pelo menos simpática.
Com o nó na garganta e as lembranças de recomendações do papai, fui mais além do que simplesmente balançar a cabeça.
“Sim, Pedro, estou pronta!”.
Rebeca me olhava.
É incrível a falta de noção de que as pessoas têm, quando olham pra você. O fato de não estar olhando diretamente para elas, não significa que não esteja percebendo que elas estão te olhando. Halooww! Sou mulher! Alguém avisa a esse povo que sou capaz de perceber o que acontece ao meu redor em 180 graus do meu campo de visão?!
E Rebeca continuava me olhando. Foi então que olhei pra ela. Sem dizer uma só palavra, virou-se para a pia e continuou trabalhando. Odeio pessoas que falam com os olhos, nunca as entendo. Pedro ria sinicamente, olhando direto pra mim e balançava a cabeça equanto comia a maçã, como quem diz: “Tsc! Tsc! Pobre menina rica!”.
É impressão minha, ou estou sendo ridicularizada pela minha própria criadagem?
Mudando de assunto: tive aulas e andei novamente na garupa do Pedro.
Sensação de Liberdade. Amo issoooo…
Quando voltamos para os estábulos vi algo que jamais vi em toda a minha vida. Tinha um garoto lá.
Não, não era o Pedro. Era outro garoto.
A imagem da perfeição. Esculpido pelos deuses.
Já vi muitos homens belos, mas jamais havia visto alguém tão belo em toda a minha vida. O ser que deixa Brad no chinelo. Daniel Hadcliff vira criança de creche, Pattinson torna-se ninguém mais, ninguém menos do que simplesmente filho do Zé do caixão, na versão que brilha no escuro e o Gustavo… bem… nem precisa dizer, né? Coitado…
Fiquei tão sem reação diante de tal beleza que acho que sai do meu corpo. Pedro já devia estar me chamando a mais tempo quando voltei pra terra. Acho que ele disse alguma coisa como descer do Maximus. Devia ser isso, por que a verdade toda é que não vi Pedro descer do cavalo. Quando dei por mim, ele já estava no chão dizendo:
“Senhorita Stella, desça do Maximus! Está com medo? Por um acaso?!”.
Gaguejei um pouco, até que finalmente consegui dizer algumas palavras.
“Sim, sim, estou, é… não sei como faço!”
“E a senhorita já esqueceu? Não acredito que vou ter que ensinar tudo de novo”.
Não havia esquecido. Só não conseguia pensar, tamanho o êxtase da momento que me pareceu eterno.
“Gabriel!”
Gabriel? Então esse é o nome do ser transcedente? Nome de anjooo! Parecia mesmo um…
“Pedro, meu amigo! Estava mesmo procurando você!”
“Quando você chegou?!”
“Ontem à noite!”
Enquanto conversavam, eu ia descendo cavalo.
“Gabriel, quero te apresentar, a senhorita Stella, filha do novo Presidente da empresa.”
“Ah! Olá, senhorita! Ouvi falar muito de você!”
“Ouviu falar de mim.. bem ou mal?!”
Se entreolharam. Detesto quando isso acontece! Estendi a mão e o cumprimentei.
A essa alturas eu não estava muito em mim, então não sabia bem o que dizer. Pela primeira vez alguém me deixou sem ação. E o mais estúpido de tudo: ele é meu empregaaadoooo?! Eu estou caidinha pelo meu empregado?! Halloww, dois neurônios, você estão aí? Qual o problema com vocês? Será que comeram alguma coisa que os fez mal?! Estão mesmo achando que Stella de Albuquerque Carvalho de Moraes ficará xonadinha pelo seu empregado?
Ownnn, o empregado mais lindo que já vi em toda a minha existênciaaa! Será que ele topa ser meu primeiro? Vou sonhar essa noite com ele. Tico? Teeeco? Eu sei, eu sei, não se preocupem, também gostei muitíssimo da idéia. Ele é perfeito!
CONTINUA…
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