domingo, 10 de abril de 2011

Capitulo 2 - Dia 12

Capitulo 2 – Uma Vida sem Amor (12º  Dia)
 02 de Janeiro de 2011

        É domingo. A criadagem está de folga. Foram todos a cidade, para a igreja. Ficamos mamãe, papai e eu. Vamos assistir um filme e comer pipocas. No campo, não há muito o que fazer se você é da cidade.
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Uma coisa que fiquei curiosa esses dias, foi sobre a cantoria da virada de ano e a minha mãe. Ela conhecia quase todas as músicas. Papai adormeceu no sofá e nós duas começamos a conversar. E Mamãe me contou uma história:

“Sei do descrédito de seu pai a religião. Mas, quando eu era pequena sua avó, sempre me levava a igreja.”

“Papai diz que só ignorantes vão a igreja…”

“Sei o que seu pai diz. Mas a verdade é que, as coisas não são bem assim.

Sua avó não era nenhuma ignorante. Era uma mulher culta e vivida. Jamais seria dobrada em que contos de carocha ou fábulas ilusórias sem sentido. Sua avó também não era nenhuma necessitada, nossa família sempre foi de posses. Não havia como dizer que foi a necessidade que a levou a procurar religião. Ela um dia descobriu algo que a saciava e jamais quis perder novamente.

Sabe uma coisa interessante. Antes deu engravidar ela me contou que estava orando. Perguntei pelo que e ela disse: oro a Deus que seja uma menina. Convicta da fé de minha mãe disse a ela que Deus não faz acepção de pessoas. Ela respondeu: não faz e se vier um menino será amado e bem vindo. Mas, queria ver nascer uma menina. Perguntei por que e ela respondeu: seria tão bom, mas tão bom ver você pequenina novamente.”

“E ela conseguiu?”. Perguntei sorrindo.

“Sim conseguiu. Quando você nasceu ela chorou por que disse que não havia um centímetro em você que não se parecesse comigo quando era bebê. Antes dela falecer, te abençoou e disse: essa estrela brilhará com a luz de Jesus.”

Minha mãe chorou. Nossa! Não sabia de nada disso. Eu lembro pouco de minha avó. Tinha quatro anos quando ela faleceu. Sei que mamãe sofreu muito. O que mamãe me contou foi que após a morte de vovó continuou indo a igreja esporadicamente, mas o tempo foi passando e cada vez  foi indo menos, até que deixou de uma vez por todas.

Esse tipo de momento, mamãe e eu podem parecer normais e contínuos. Mas a verdade é que, eu nunca soube dessa história, sobre meu nascimento e minha avó, por que mamãe e eu quase não conversamos. Os domingos, não eram assim em São Paulo, quando não era eu na casa de alguma amiga, fazendo coisas ilícitas à minha idade, era minha mãe na casa de alguma amiga, socialite dela. Nós sempre íamos juntas ás compras, sabemos mesmo debater sobre moda e o que está em voga na estação. Mas eu acho mesmo que nunca tive uma conversa aberta com minha mãe. E acho que nunca teria se não tivesse, de alguma forma, vindo parar aqui.

É estranho dizer isso. Mas é como se… minha partida de São Paulo pra cá tivesse um sentido e um por que. Eu jamais havia tido amor, em minha vida. Pela primeira vez eu me senti amada. Amiga da minha mãe. Nunca considerei minha mãe, minha amiga. Jamais teríamos um momento assim em São Paulo. Foi muito legal.

CON TINUA…

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