Capítulo 8 – Sei o Que Quero (42º Dia)
25 de Março de 2011.
Voltei pra mesa e contei o acontecido, tendo que suportar o olhar da Beca me dizendo:”Eu avisei!” Eu pudia ver a veia de Henrique pulando de onde eu estava. Fez uns sinais estranhos com os olhos e com as mãos para alguns garotos. Pedro e Gabriel se entreolharam enquanto papai se aproximava da mesa.
“O que aconteceu, Stella?!” Perguntou papai.
“Naaa…!” Olhei para Beca, enquanto a sirene sinalizando que eu estava prestes a mentir soou.
Ela me olhou sério.
“Nada, papai!”
“Não minta pra mim conheço, você!”
Rebeca me lançou outra vez aquele olhar de: “eu te avisei!”
Arrrg! As vezes ela me irrita!
“Aquele cidadão queria me beijar e eu não quis!”
“Escute mocinha… eu não trouxe você aqui para arrumar confusão, está certo?!”
Quando ele usa esse “mocinha” é sinal de: converso com você em casa.
Tentei argumentar:”mas pap…!”
“Sem mais, Stella Moraes,(ele disse meu segundo nome, to encrencada!Pensei!)” papai se virou pra Gabriel:” as chaves, vão para casa. Lá conversamos, Stella.
Que raivaaaaaa! O cara tenta me agarrar e eu é que sou a causadora da confusão? Tá, eu causei mesmo, não tinha nada que ter ido matar as saudades da minha vida mundana.
A atitude do papai me deixou feliz de certa forma, estava mesmo achando a festa entediante. Se bem que, nós quatro nem imaginamos, como estávamos seguros lá.
Eu simplesmente havia atiçado a fúria de um bad..bad…muit bad..boy nem sonhava com isso.
Saímos da festa. Mas quando chegamos na garagem…
“Ei! Stella! Você acha mesmo que vai embora sem me dar o meu beijo?!”
Gabriel se meteu:”amigo, ela não quer beijá-lo e nós já estávamos indo embora!”
Tinham mais três garotos além do Henrique, eram quatro por quatro, no nosso time tinham duas mulheres, somos frágeis e estávamos em desvantagem, ma ainda eu ainda lembrava como puxar pelos cabelos.
“Vocês podem ir embora, eu não quero nada com vocês, mas ela só vai depois do meu beijo!”
Olhei pra Beca, ela estava de cabeça baixa e movia lentamente os lábios, Ela estava orando, era o que eu devia fazer também, mas depois de ter causado tudo aquilo, senti tanta vergonha de Deus. Fiquei muito triste nesse momento. Decepcionei Deus e ainda meti minha familia em confusão. Foi quando vi Gabriel e Pedro cerrando os punhos e se preparando para a briga. O bando de lá e de cá se duelavam, não se moviam, dava pra ouvir respirações ofegantes. Fiquei arrasada, a culpa era minha ninguém tinha que ter nenhum problema por minha causa, sei que os meninos odiariam ter que brigar, não era justo.
“Por favor! Não briguem! Eu beijo você. Se é só isso que vai fazer a gente ir embora daqui, eu bei…!”
Eu não terminei de falar ouvi uma voz furiosa na minha frente dizer:”entra no carro, Stella!”
“Mas, Pedro…!”
“Entra no carro, você e a Beca!”
Ainda tentei dizer alguma coisa, mas a Beca me pegou pela mão e me puxou pro carro, enquanto eles continuavam lá, se mirando!”
Henrique berrou:”Isso não é da conta de vocês!”
“É sim, é da nossa conta sim!”
Gabriel mexeu as mãos pra nós dentro do carro. E Rebeca abriu levemente as travas. Ele olhou pra Pedro. Pisou pra frente e ambos correram pra em direção ao carro, fechando as trancas e ligando os motores enquanto os garotos do bando do Henrique voaram pra cima. Mas não tiveram coragem de se meter na frente do carro, com Gabriel arrancando com tudo e saindo cantando pneus. Ele correram atrás de nós, mas já era tarde, fomos embora de lá.
Estávamos a salvo. Mas permita que eu abra um parêntese. Gabriel e Pedro não estavam com medo de apanhar, estavam com medo de bater. Acostumados a laçar boi na fazenda e matar cobra com vara, dificilmente perderiam aquela briga pra quatro playboyzinhos mimados.
A grande questão de tudo é que, como garotos ensinados na Palavra de Deus, eles não pretendiam mesmo ganhar briga nenhuma. O que lhes tocava ao coração é manter a paz de espírito que teriam preservando o nome de Cristo.
Quanto a mim, sei a bronca que ia levar dos três. Bronca merecida por sinal. Desobedeci meu Deus e ainda quase faço meus irmãos pecarem. A Palavra de Deus tem razão quando faço algo só que desagrada a Deus, prejudico todo o corpo. Chegamos em casa. Estávamos todos num silêncio absurdo e eu com tanta vergonha…
Entramos em casa, fui pra cozinha beber água, os três ficaram na sala cochichando, “depois de hoje, nunca mais vão querer sair comigo”, pensei, “devem me odiar!”.
Dei boa noite a eles e agradeci pela proteção deles e fui pro meu quarto, arrasada, chorei a noite toda. Dançar com aquele garoto teve um preço alto…
CONTINUA…

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