Capítulo 8 – Sei o Que Quero (41º Dia)
24 de Março de 2011.
Prometi que ia prestar atenção na aula de história, mas meu professor resolveu passar um filme e eu já vi esse filme.
Os quinze anos da filha do funcionário do papi, foi mais ou menos assim, uma bomba e ao mesmo tempo engraçado. Bomba e engraçado para mim, devo dizer que a festa estava lindaa, tudo do melhor, mas por algum motivo meu e desconhecido eu não estava ali.
A coitadinha estava tão nervosa, não sei se emocionada, ou se muito cansada já, que quando fomos parabeniza-la não tivemos tempo, por que a própria foi mais rápida e nos parabenizou primeiro. A situação foi assim:
ANIVERSARIANTE: Parabéééééns!
REBECA:Obrigadaaaa! (Ela nem percebeu que quem tinha que dar os parabéns era ela, mas tudo bem).
PEDRO E GABRIEL: Hã?!
EU: Rs… Parabéns, feliz aniversário!
ANIVERSARIANTE: Ah! Obrigada! (Sem graça e vermelha coitadinha, depois de se tocar da mancada!”
Sem problemas, meu bem, a festa é sua, você pode dar quantas mancadas quiser, eu ri muito, mais da Rebeca que também não percebeu nada nem do que tinha feito.
Fomos nos sentar depois dessa. A secretaria do Papai estava na festa. Meu pai estava na festa. Eu estava na festa, mas a mamãe não. Havia uma mesa pra mim e meus amigos e uma mesa para papai, a secretaria, o pai da aniversariante e mais um monte de gente da empresa. Perai, era um aniversario ou uma reunião de negócios?
Fala sério! To amando a aula. Que chata que sou, sempre insistindo em ser antipática, mas voltando a historia…
Na minha mesa Gabriel e Beca sentaram primeiro, só sobrou lugar para mim e Pedro, ele não pareceu gostar nada, nada disso. Tentei não pensar o pior, talvez ele só quisesse conversar com o amigo dele. Mas não sei, ele estava mesmo muito estranho. Não tenho coragem de perguntar qual o problema dele. Houve um silencio daqueles meio eterno, até que resolvi quebrar o gelo:
“Bonita a festa, não está?!”
Ele confirmou com a cabeça. Deu raiva! Esperava um dialogo, tentei de novo.
“A gente vai ter simulado sábado, posso saber quando vamos estudar?”
Demorou viu? Mas respondeu.
“Amanhã a tarde, quando chegarmos do colégio!”
“Ah! Que bom, eu to zerada em matemática! Me ajuda?!
“Sim , ajudo sim!”
Silencio.
*
*
*
*
Segundos depois…
“Pedro!”
“O que é senhorita, Stella?!”
“Não quero mais que me chame assim, você havia parado, voltou a me chamar assim por que?! Somos amigos agora, quando você me chama assim, fica parecendo que estamos em mundos distantes…
“E nós não estamos em mundos distantes?!”
“Não! Fazemos parte do mesmo Reino, o de Deus!”
“É verdade! Mas enquanto estivermos aqui na terra, ainda haverá diferenças!”
“Pedro, você é como se fosse parte da minha familia! Por favor, não me exclua da sua familia, é a primeira vez que me sinto parte de um lugar!”
“Amigo, você está bem?!”
“Estou sim!”
“Pois não parece! Não está gostando da festa tanto quanto eu?!”
“É!”
“Olha… a gente pode ficar brincando de pegar o dedo polegar, que tal?!”
Ele sorriu.
“Não sou mais criança!”
“Ah! Fala sério, tem 16 anos, é sim!”
“Não quero!”
“Por favorrrrrr!”
Pára, menina chata!”
Começamos a rir e brincamos de pegar o dedo polegar.
Depois das solenidades, começou a balada e foi ai que meus problemas começaram.
Estávamos rindo e conversando nós quatro, o casal resolveu parar de nos excluir e entrou na conversa, dai um garoto (ownnn, diga-se de passagem muito lindooooo!). Se aproximou da mesa e pediu permissão a Pedro para que dançasse com a namorada dele.
“Ela…cof! cof! Não é minha namorada!”
“Não?! Melhor ainda… (|Virou-se pra mim e disse) Você quer dançar?!”.
Rebeca me olhou com ar de se você for eu te mato!
Ai! Fazia tanto tempo que não tinha uma vida normal. Topei na hora.
Fui dançar com ele. Nas nossas festas da igreja a gente dança, mas eu sentia falta da minha vida de São Paulo e aquilo parecia muito a minha vida de São Paulo.E era só dançar… não tinha nada haver, as vezes a Rebeca é tão radical! Tão radical! Bem, foi o que eu pensei na hora. Levantei e fui…
Ao som de Gaga me esbaldei de dançar… E o Henrique, o nome do cidadão, uns 15 minutos depois me pediu pra ficar com ele. Já que não tinha namorado… E ele, super saido ainda me confessou que mesmo que tivesse ia pedir pra ficar comigo de qualquer maneira, que era a garota mais bela da festa, mais até do que a aniversariante. E dançar tudo bem, mas eu não queria beijar ninguém, não por ser santa demais, mas por que realmente eu não queria beijar aquele garoto, não gostei muito de algumas coisas que disse, nem de algumas atitudes, eu só queria dançar mesmo, e meu amigo Pedro não ia querer, ele é crente, não faz essas coisas. Eu sei que Deus não se importa que a gente se divirta. Pelo menos achava que sabia…
“Fica comigo?!”
O fica comigo dele foi mais ou menos, eu te pergunto enquanto te roubo um beijo… mas, eu fui mais rápida, desviei. Disse que não queria. Ele disse: que não era um pedido e que se tinha topado dançar era por que queria mais do que isso. Disse a ele que só queria dançar. Ele disse pra eu parar de me fazer doce e beijá-lo logo.
“Eu não quero! e também não quero mais dançar com você!”
“Você é estúpida! Eu sou o cara mais bonito dessa festa, todas as garotas aqui estão loucas pra ficar comigo e você diz que não quer?!”
“Eu não! Você é estúpido! Acha que é de mais, faz o seguinte, fica com elas e mata esse desejo ardente do coração delas. Eu não quero! Entendeu?! Dê-se por agradecido deu te permitir dançar comigo!”
A essas alturas a conversa tinha saído do campo de audição meu e de Henrique e já tinha chegado ao dançarino ao nosso redor.Soltei minhas mãos, que ele estava apertando e andei rápido em direção a mesa. Mal eu sabia, que minha noite só estava começando…
CONTINUA…