sexta-feira, 13 de maio de 2011

Capitulo 7 - Dia 35

Capítulo 7 – Exatamente Como Sou (35º Dia)


Belém do Pará. 18 de fevereiro de 2011.

Querido Diário,
estou revoltada. Tipo, como se não bastasse meu pai me mandar indiretas o tempo todos por minha decisão. Agora eu estou na lista negra das garotas mais populares de lá. Eu já estava, a Beca já era e agora a guerra foi declarada.
Tudo aconteceu na hora do intervalo. Foi quando um garoto da minha sala um tal de Vitor esbarrou em mim com seu copo de refrigerante na mão e se molhou todo. Ele era namorado dela, “da super diva da moda”, Isabella Gutierrezzzzzz. A grande questão é que foi ele que esbarrou em mim e não eu nele. Não faço idéia de onde ela veio, mas se encostou no cara e foi abrindo a boca:
“- Olha o que você fez, sua estúpida!”.

A gente anda em bandos. Todo o intervalo Beca, Gabú, Pedro e eu, sentamos juntos. E estavamos juntos na fila da lanchonete quando isso aconteceu. Acho que olhei pra Beca, e a vi dizer algo com os olhos como: “não entra na dela!”.
E acho que respondi com os olhos, pra Beca, franzindo a sobrancelha e com um sorrisinho ironico no rosto, do tipo: “Não, adianta! Eu não vou deixar barato!”.

Eu sorri, para a d. Isabella.
- Você sabe pelo menos o significado da palavra estúpida, sua loura a base de água oxigenada!.
Havia um barulho enorme no pátio da escola. Que após eu ter retrucado acabou instantaneamente.
Todo mundo calou a boca! Os alunos me olhavam como se eu tivesse feito algo extraordinariamente absurdo!
“O que foi que eu disse?”

Em casa soube pela boca de Rebeca que eu havia afrontado nada mais nada menos do que a garota que se ela te odiar, toda a escola odeia, se ela te amar, toda escola te ama, se ela mandar, todos obedecem por que ela é A GAROTA. mais ou menos é ser ou não amigo dela que define que posição você ocupe no hall da fama do colégio e da cidade. Parece que o pai dela é um megamilionário e por tanto, ela manda no pedaço. Todo mundo quer tá perto dela, todo mundo quer bajulala, e ninguém, absolutamente ninguém, diz a ela, nada do que eu disse.

O grande detalhe: eu não ligo mesmo. O status que ele tem eu já tive, e se ela estivesse no meu colégio em São Paulo, seria ela que precisaria lamber os meus pés. Disse isso a Rebeca. Ela me alertou sobre romper com estruturas de orgulho. E que dadas as circunstancias eu já estava vencendo muitas coisas. Mas que deveria tentar vencer essas.
Bem lembrado disse a Beca, mas na hora, a ultima coisa que lembrei é que agora era cristã. Eu não sabia bem o que estava acontecendo. Mas percebi que o que quer que tivesse dito, causou um grande espanto a todas pessoas presentes ali., inclusive a ela.

- O que foi que você disse? Sua pobretona, ridicula?
- Em primeiro lugar, não sou pobretona coisa nenhuma! Em segundo lugar disse: que esse se cabelo é nojento!
Acho que vi Pedro e Gabriel rindo. E Rebeca com um ar de “Senhor nos acuda! Estamos em apuros”. Mas não dei trela a ultima coisa que ia deixar era aquela enxaguada me dizer desaforos.
Naquele exato momento formou-se um circulo ao nosso redor. E ela esbravejou: – Não é pobretona? Mas você só anda com a plebe, meu bem? “Diga-me com quem andas e te direi quem és, não é assim?”.

Naquela ora olhei para meus amigos e de fato, vi o por que parecia ser a pobretona da história, vergonhosamente me senti envergonhada. Mas eu amava a companhia deles, embora seja bem verdade que em outras épocas eu jamais andaria com eles. Foi um lapso de segundos. Entre sentir vergonha de estar com eles, e novamente cair a ficha de que perto deles era o melhor lugar do mundo. Perto deles eu só precisava ser quem eu era, eu não precisava ter dinheiro, ou ser a garota mais popular da escola. Eles me amavam pelo que eu era e não pelo que eu tinha, e eles me ensinaram tantas coisas. Mas de certa forma, ago dentro de mim queria estar lá, do lado dela. Ser quem ela era, ser a garota mais apreciada, desejada e respeitada da escola.

Então retruquei, embora sentindo minha alma corroer por dentro por estar do lado desfavorecido, respondi:

“Você tem uma excelente forma de ser a garota mais infeliz da escola! Quando seus puxa-sacos não estão, pra quem você chora?”.

Ela termeu, me olhou como se tivesse alfinetado algo nela. Pegou a mão do namorado  e me olhou bem dentro dos olhos:
“Você vai se arrepender de ter me enfrentado! Não chegue perto do meu namorado!”
“Disponha, eu não queria mesmo chegar perto dele, foi ele que chegou perto de mim. Outra coisa. Eu sei ser bem mais nojenta do que você! Estarei esperando!”.

Gabriel e Pedro sorriam, mas quando olhei para Beca, ela me desaprovou com a cabeça e saiu. Eu sorria pela minha vitória, mas quando a vi, chateada, meu sorriso se foi. Seu Antonio foi nos buscar e ficou sabendo de tudo.
Mais tarde, após o almoço foi mais um dia que eu e Pedro estudamos juntos.
“Sinto falta dos cavalos!”, disse ele.
“Eu também! Principalmente do meu cavalo super herói!”
“Olhaaaa, eu sei o que minha irmã acha disso e sei que ela não aprova esse tipo de coisa e que ela te discipula, mas… eu achei um barato você dar umas na cara daquela nojenta!”
“Ah! Sim?”
“Sim!”
“E por que?”
“Você não sabe o que ela faz?!”
“O que?”
“Ela humilhas as pessoas direto! trata como seus empregados, ela bem merece umas correções de vez em quando! E ninguém diz nada!”
“Hummm, igual eu faço com vocês?”
“Engraçadaaa! Você era nojenta, mas não era comigo. Cismou com a Beca, mas sempre foi minha amiga!”
“Eu não era sua amiga! Eu te usava é diferente!”
“Ah!Sim?”
“Sim, meu pai me mandou ser educada e você me dava aula de montaria!”.
Rimos!
“E agora?” Ele perguntou.
“E agora, o que?”
“Agora você é minha amiga?”
“Não!”
“Ah! (…)”
“Agora você é como se fosse meu irmão!”
“Irmão?”
“Sim!”
“Vocês moram aqui na minha casa e passamos o dia todo juntos, comemos, brincamos, estudamos, vamos a igreja e me ensinam sobre Deus! Eu sempre fui filha única e agora minha casa é cheia de gente jovem!”
“Mas nós ainda somos seus empregados!”
“Vocês não trabalham pra mim, trabalham pra meu pai que também gosta muito de vocês. Minha mãe então é louca pela Beca e que as vezes fico até enciumada!”
“De qualquer forma, é bom te-los aqui, eu nunca mais me senti só!”
“Irmão?”
“O que foi? Não gostou de ter mais uma irmã?”
“Nãão! Nadaa! Gostei sim, claro!”
“Pedro?!
“O que é?”
“A gente tem muito o que estudar, tá?”
“Tá!”.

Não entendo ele as vezes parece que queria dizer alguma coisa, mas sem dizer. Pedro é engraçado! Me faz rir muito. E as vezes conversamos por oras. Conversei com Rebeca e ela me disse que não gostou do que fiz na escola, que somos cristãos e temos que dar o exemplo, eu disse  a ela que sentia muito, mas que é ainda não consigo ter outras atitudes. Ela é compreensiva. Me disse que era assim mesmo, e que Deus iria me transformar.

Mas uma coisa me incomoda e isso não posso contar a ninguém. As vezes me sinto nojenta, tanto quanto a Izabella. Por que senti aquilo? Por que não os amo, nem os considero como pessoas que merecem e são dignos do meu respeito? Embora tenha dito o que disse a Pedro, é verdade que as vezes me sinto bem superior a condição de Rebeca e todos eles. Eu me sinto sim melhor e mais privilegiada do que eles. Eu senti vergonha de andar com eles. Meu Deus, eu não quero ser assim! Quero ser alguém que te agrada! Por favor, me livre.

Vou orar, estou me sentindo muito mal. Rebeca disse que quando não conseguimos vencer um pecado, devo confessá-lo a Deus e me arrepender dele.

Amanhã vamos a igreja, culto dos jovens. Só vou por que os três vão, mas a verdade que meu pai não gosta, só mamãe aprova e foi na igreja alguma vezes comigo. Vou indo, ainda tenho trabalho a fazer e acho que vou entrar no twitter depois.

Vou indo, diário. Beijos.

CONTINUA….

Nenhum comentário:

Postar um comentário